quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Uma História de Chanucá!

A Família inteira se delirava com os famosos Latkes da Oma, até a última saborosa migalha, e as crianças terminaram de brincar de jogo de dreidel A última noite de Chanucá estava terminando. As chamas da grande menorá de prata já iam se apagando, mas as luzes no pequeno e estranho objeto ainda alumiavam, brilhantes.
Sara, a netinha caçula, subiu no colo de Oma.
- Conte-nos a história da Menorá das crianças – ela disse.
- Sim, sim. Conte-nos a história! – pediram as outras crianças que reuniam num círculo aos pés de Oma.
Embora os adultos estivessem prontos para partir e já segurassem os agasalhos das crianças, eles se sentaram para esperar até o fim da história.
- Era no inverno antes do fim da guerra, - Oma começou – um tempo tristonho e frio. Certa manhã bem cedo, Léa se encarapitou no meu beliche e me cutucou até que eu acordei.
- Mina, Mina ! – ela chamou
- Shshhh - eu disse. A gritaria estridente que nos acordava todos os dias ainda não começara, e as outras mulheres exausta ainda estavam dormindo.
- Está nevando, Mina – Léa sussurrou – Venha ver como está bonito lá fora.
- Havia sete crianças no nosso barracão, mas eu me sentia mais próxima de Léa, disse Oma – talvez porque ela fosse a mais novinha, só tinha quatro ano. Apesar do frio, eu saí do meu beliche e caminhei com a excitada menininha até a única saída do nosso barracão.
- E de fato, flocos de neve brancos e pesados caíam do céu enevoado. A neve cobria o solo nu em volta do barracão, e pequenos montinhos brancos enchiam as malhas da cerca eletrificada que rodeava o campo.
- A torre de vigia parecia um gigante nublado – disse Aaron, lembrando-se da história do ano passado.
- Sim, - Oma disse – mas a luz malvada do seu holofote estava atenuando pela neve.
- É a primeira neve do inverno – eu lhe disse. Reizel assentiu, - Já é Kislev. Logo chegará Chanucá.
- Mesmo sem calendário, Reizel sempre sabia que data era e lembrava-se de quando exatamente caíam as feriados Judaicos.
- As crianças deviam ter uma menorá – Reizel disse.
- Mas como? – perguntei.
- Eu poderia fazer uma – Reizel respondeu após alguns momentos – Eu poderia fazer uma, de colheres.
- Reizel tinha sido uma artista antes da guerra. Ela era tão jeitosa com as mãos... No campo de concentração ela trabalhava no quarto de costura, consertava os uniformes dos guardas nazistas.
- Às vezes ela conseguia esconder uma agulha e linha suficiente para consertar os trapos que nós vestíamos. Se alguém fosse capaz de achar uma maneira de fazer uma menorá, certamente seria Reizel.
Benny, o neto de dez ano de Oma, falou, - Reizel disse que ia precisar de novo colheres, certo ?
- Isso mesmo, Benny – disse Oma.
- E no campo, as colheres eram valorizadas como ouro. Quando nós chegamos lá, casa um recebia uma tigela de metal para a sopa rala e os restos de comida que nos eram dados. Mas arranjar um colher era problema nosso. Quem tivesse uma, era capaz de raspar até a última gota de alimento. Então como é que poderíamos juntar nove preciosas colheres para fazer uma menorá?
- Você tinha uma colher, Oma? – perguntou Sara. Ela sabia a resposta, mas gostaria de fazer esta pergunta toda vez que sua avó contava a história.
- Sim, eu tinha. Eu a levava comigo para onde quer que fosse, e até dormia com ela, á noite. Oma fechou os olhos, recordando-se.
- Então você teve uma grande idéia – Aaron disse, orgulhosamente. Oma continuou numa voz suave e trêmula, - Eu disse, “ Reizel, se você partilhar comigo sua colher na hora das refeições, eu lhe darei minha colher para a menorá.
- Claro que vou partilhar – disse Reizel – Agora nós já temos uma colher.
- E bem naquele ouvimos alguém batendo no fundo do nosso beliche. Miriam nos ouvira conversando.
- Hindel e eu vamos partilhar uma colher – ela sussurrou. Oma levantou dois dedos.
- Agora nós tínhamos duas colheres.
- Mas vocês precisavam de mais sete colheres para a menorá – disse Aaron.
- Pois é – concordou Oma – Naquela manhã, andando pelo chão escorregadio a caminho da fábrica onde trabalhava, vi um pedaço de metal brilhando na lama. Era uma velha colher torta, um milagre! Como centenas de mulheres passavam por ali todos os dias, não havia como descobrir qual a pobre alma que deixara cair. Agora nós tínhamos três colheres.
- Naquele anoitecer, quando estávamos em fila para conseguir um pouco de comida, Hindel se aproximou de mim por trás e rapidamente colocou alguma coisa na minha mão. Era uma linda colher de prata!
- Ela estava no bolso de um terno – ela falou baixinho.
Oma respirou e continuou – Vejam, o serviço de Hindel era remexer montes de coisas valiosas para guardar... Coisas que eles tinham tirado de nós assim que chegamos ao campo... Jóias, roupas, pentes e até retratos das nossas famílias! Hindel podia ter arranjado problemas terríveis por trazer-nos qualquer coisa, ma ela queria ajudar com a menorá. Agora nós tínhamos quatro colheres.
- naquela noite fria, nos juntávamos para nos aquecer uns nos outros, Miriam se inclinou e empurrou dois pedaços de metal para dentro do meu beliche. Eu os senti na escuridão. Eles eram enferrujados, os cabos rachados, mais eram colheres!
- Onde você conseguiu? – perguntei, espantada. Miriam olhou em volta, receosa, antes de responder.
- eu as achei no lixo. Miriam trabalhava na cozinha. Se a tivessem apanhado tirando colheres ou qualquer coisa do lixo, ela teria sido severamente castigada pelos guardas.
Os olhos de Oma brilhavam de lágrima, - Agora já tínhamos seis colheres.
- Alguns dias mais tarde, Leiba uma mulher que acabara de ser mandada para nosso barracão, trouxe duas colheres mais, quase novas. Ficamos pensando como ela teria descoberto sobre a menorá. Será que os guardas também sabiam? Será que tirariam as nossas colheres? O que eles fariam conosco?
- Não se preocupem – disse Leiba – Todas as mulheres do campo sabem sobre a menorá, mas isto ainda é segredo para os guardas.
- Leila nos contou que ela lavava a roupa e limpava a casa de um dos guardas. Por fazer isto, ele lhe oferecia um pouco de comida a mais.
Embora ela, como todos nós, sentisse fome o tempo todo, ela lhe disse que em vez da comida queria colheres. Agora tínhamos oito colheres.
- Sara levantou oito dedos e disse, - Vocês ainda precisavam de mais uma colher.
- Isso mesmo, - disse Oma.
- Faltavam só dois dias para Chanucá e nós ainda precisávamos de mais uma colher para a menorá.
- Nós ficamos pensando o dia inteiro sobre isso, enquanto trabalhávamos. Cochichávamos sobre isso enquanto tomávamos nossa sopa aguada e pão velho. Matutávamos a respeito, deitadas sobre as tábuas duras que eram nossas camas.
- Antes de adormecer naquela noite, pedi a Hashem que por favor nos mandasse mais uma colher para a nossa menorá.
- Finalmente, na última noite antes de Chanucá, uma jovem mulher que nunca havíamos visto antes nos trouxe uma colher tosca, feita a mão.
- Ela era de minha irmã – foi só o que ela disse.
- Agora tínhamos nove colheres.
- Nove colheres... – murmurou a pequena Sara, sonolenta.
- Cedinho na manhã seguinte, Reizel me acordou delicadamente.
- Olhe! – Ela sussurrou.
- Bem ali entre nós duas, no nosso beliche, estava uma menorá para as crianças!
- Reizel tinha torcido os cabos das noves colheres para formar uma base que ela espetou num pedaço de madeira para ficar levantada, segurando os cabos uns nos outros. E ela virou as partes redondas e côncavas para cima e para trás, para apoiarem as chamas.
- A colher que era o shamesh podia ser tirada para acender as outras e depois colocada de volta na base torcida.
- As mulheres acordaram, ansiosas para ver o trabalho das mãos de Reizel. Elas se aglomeraram em volta dela, espantadas e encantadas com a pequena menorá.
- Naquela noite quando parecia seguro, Hindel reuniu todas as crianças no espaço que havia na frente do nosso beliche. Miriam encheu a primeira colher com gordura que ela guardara da cozinha. Reizel enrolou dois pavios com uns fios de algodão que ela trouxera do quarto de costura.
- Com um dos fósforos que eu consegui de um trabalhador da fábrica, eu acendi o shamesh. Nós sussurramos as bênçãos, juntas... Todas as mulheres e as crianças também. Elas prenderam a respiração quando eu peguei o shamesh e acendi a primeira luz de Chanucá – Oma sorriu – Era o nosso milagre de Chanucá particular.
- Durante oito noites, nós acendemos as chamas na nossa menorá, e as crianças tiveram um Chanucá para relembrar.
- Eu vou lembrar sempre – Benny disse suavemente.
- Eu vou lembrar sempre – disse Aaron. Oma abraçou a sonolenta Sara e a carregou até as luzes de Chanucá. Encantadas, as outras crianças se levantaram e ficaram bem quietinhas ao redor da preciosa e pequenina menorá de muito tempo atrás.
- Olhe, Oma! – a voz de Sara estava cheia de espanto – As chamas da menorá das crianças ainda estão ardendo!
(fonte: Nove Colheres)

1 comentários:

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